Doutora Mariana Maldonado

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Endometriose

Publicado no dia 20 de janeiro de 2005   Temas: Artigos, Saúde da Mulher

Endometriose, apesar de ser um nome esquisito, tem uma tradução simples: é a presença do endométrio fora do útero, que é o seu ambiente original. O endométrio, ou tecido endometrial, é a camada interna do útero que todo o mês sai pela vagina em forma de menstruação.

E como é que esse endométrio consegue parar em outros lugares do corpo, como trompas, ovários, intestino, bexiga e até mesmo nos pulmões? Na verdade, existem diversas teorias sobre o que causa a endometriose, mas até agora nada é muito certo. A mais aceita é de que durante a menstruação, algumas células do endométrio conseguem passar pelas trompas até cair dentro do abdômen e ficam por lá mesmo. Parece que o sistema imunológico (de defesa do corpo) também está envolvido no processo. Na verdade, sabe-se que é possível encontrar células do endométrio dentro do abdômen de muitas mulheres, mas nem todas desenvolvem a doença.

Estima-se que em torno de 10 a 15% das mulheres em idade fértil tenham endometriose. Mas o que mulher pode sentir? Dor na relação sexual, piora progressiva das cólicas menstruais (principalmente naquelas mulheres que nunca tiveram cólicas) dores na parte baixa da barriga e dificuldades para engravidar são as queixas mais comuns. Dor na evacuação, diarréia, sangramento retal, dor para urinar e sangue na urina durante a menstruação podem ser sinais de que outros órgãos também estão comprometidos pela doença.

Mas é importante lembrar que a intensidade dos sintomas não está necessariamente relacionada com a gravidade da doença. Muitas vezes uma mulher com endometriose em um estágio inicial tem muito mais dor do que aquela em estágio avançado.

Quando existe a suspeita do problema, exames como o ultra-som transvaginal, tomografia, ressonância magnética e a dosagem de marcadores no sangue como o Ca 125 podem ajudar a fazer o diagnóstico. A certeza, porém, vem com o resultado do estudo das lesões, seja através da retirada total (na maior parte dos casos) ou por biópsia. Isto só pode ser feito por cirurgia, de preferência a vídeolaparoscopia.

Infelizmente, ainda não há uma cura definitiva para o problema, mas com o tratamento a dor e os outros sintomas podem ser controlados. Também é possível reverter ou até mesmo evitar a que a doença apareça novamente!

Existem diversas possibilidades de tratamento, desde o uso de pílulas anticoncepcionais, DIU com homônio (Mirena) até drogas modernas e mais potentes que necessitam de um acompanhamento rigoroso. O tipo de tratamento escolhido vai depender do desejo da mulher de ter ou não filhos a curto prazo. Por isso, nada melhor do que a avaliação de ginecologista para saber qual o tratamento mais indicado em cada caso!

2 comentários

  • Jessika disse:

    Olá Dra, é o seguinte: tenho muitas cólicas quando estou mestruada, horriveis, de ficar de cama. Um dia li numa revista que a endometriose poderia provocar isso e até de não poder ter filhos mais tarde. Queria saber se tenho que ir ao médico ou essas cólicas são normais.
    Bjos e obrigada.

  • Dra. Mariana Maldonado disse:

    Só dá mesmo para saber se suas cólicas são ou não normais indo ao ginecologista, Jessika. Vc precisa fazer uma avaliação completa, ok?

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